segunda-feira, 2 de março de 2015

Os primeiros cuidados e a relação afetiva mãe-bebê após o nascimento


Chegou o grande momento! Até o nascimento do bebê a futura mamãe já lidou com diversos acontecimentos: a notícia da gravidez, a reação dos familiares e do parceiro, as mudanças no corpo para acomodar aquele novo ser, as expectativas e o turbilhão de emoções que a preparam para se aventurar no papel que lhe foi designado, o de ser mãe.

Tomados todos os cuidados pré-natais, o bebê está pronto para vir ao mundo e a pergunta que se faz é: como serão os primeiros cuidados e qual a importância da relação afetiva entre mãe e bebê?
               
Devemos lembrar uma premissa básica: ao nascer, o bebê se encontra em uma situação de absoluta dependência do seu cuidador. É necessário que exista alguém que lhe forneça cuidados e atenda às suas necessidades primordiais básicas.

Não restam dúvidas que é a mãe (ou na sua falta um substituto) quem exerce esse papel primordial, por isso que tal relação possui extrema importância. 

Para o bebê tudo é desconhecido e uma série de sensações vindas dos sentidos (visão, olfato, audição, paladar e tato) lhe permitem entrar em contato com o mundo e vivenciar as primeiras experiências. A mãe possui uma tarefa importante de garantir a segurança, o conforto e o afeto, fundamentais nesse momento. Ao sentir-se seguro e ter suas necessidades satisfeitas, o bebê encontrará o ambiente ideal para seu desenvolvimento físico, cognitivo e emocional.

Eventos cotidianos como a satisfação de ter o alimento no momento adequado (isto é, assim que sente fome),  de sentir conforto ao ser higienizado e de receber aconchego nos momentos de inquietude possibilitam ao bebê boas sensações e a possibilidade de que ele possa expandir suas experiências emocionais. Neste momento ele ainda não entende o que é certo ou errado, por isso não adianta tentar ensiná-lo sobre regras. Nos meses iniciais, a lógica do bebê funciona no sentido do que lhe dá prazer e satisfação. Produzir esse ambiente adequado é importante nessa fase.

Reconhecendo a importância desse momento, vamos a algumas dicas para as mamães de primeira viagem (e também para as experientes - por que não?!) de como aproveitar esse momento tão especial:
  • Um ambiente estável, uma relação afetiva satisfatória e o atendimento das necessidades fisiológicas nos momentos adequados intensificam o vínculo afetivo, reduzem as tensões fisiológicas (de fome, sede e dor), fornecendo as bases para um bom desenvolvimento social e afetivo.

  • É importante que a mãe tenha tempo e espaço para descobrir como se relacionar e atender seu bebê no que ele necessitar. Acalentar, aquecer e amamentar são cuidados importantes e que aceleram o processo de maturação, garantindo que o bebê se sinta seguro e protegido. Não tenha pressa e aproveite esses momentos para aprofundar a relação com seu bebê. Conheça seus olhares, aprecie o toque, sinta sua respiração, seus movimentos e quando menos esperar saberá compreender suas necessidades como ninguém. O bebê adquire aos poucos a noção de um ser único e individual e, para isso, a mãe fornece valiosa ajuda, mantendo-o satisfeito e seguro para vivenciar as primeiras experiências de vida.

  • A amamentação é um momento importante nessa fase, pois está ligada à primeira necessidade básica do bebê, a alimentação. Ser a pessoa que lhe fornece alimento quando o bebê precisa lhe garante bons momentos de prazer. No entanto, algumas mães sentem dificuldade ou até são impedidas de amamentar por motivos maiores. A dica aqui é a seguinte: não perca a oportunidade de amamentar, caso isso seja possível, pois essa experiência é bastante rica e deve ser aproveitada; não sendo possível, utilize outros meios recomendados pelo seu médico, mas faça desse um momento calmo e agradável, e não perca a oportunidade de estabelecer um bom momento afetivo com seu bebê. Caso o bebê recuse o peito, talvez se sinta mais seguro com a mamadeira e se assim for, é o mais adequado a fazer até que demonstre segurança.

  • Estabeleça uma rotina diária estável com seu bebê. Não se trata de rigidez com horários, mas sim de uma rotina estável no sentido de manter diariamente um ambiente que transmita segurança e conforto de acordo com as necessidades do recém-nascido. 

  • Não se prenda a tensões e preocupações causadas pelo medo. Os cuidados de saúde certamente são acompanhados (e claro não devem ser negligenciados) e você se interessará por aprender como acalentar e amamentar seu filhinho, porém, antes de tudo isso tenha em mente que seu interesse e tempo disponível lhe fazem capacitada para garantir momentos agradáveis e satisfatórios aos olhos do bebê, que terá suas necessidades atendidas. Aproveite esse momento especial!

  • O pai pode ajudar no sentido de dar suporte emocional à mãe e até aos afazeres domésticos, pois certamente ela encontrará no companheiro um apoio para que garanta um ambiente agradável enquanto ela se dedica ao seu pequeno filho. Os dois devem lembrar que essa situação inicial é passageira e que deve ser respeitada e aproveitada. Cuidados assistenciais (dar banho, higienizar, acalentar), principalmente depois da fase de recém-nascido, podem ter a participação do pai, que aproveitará esses momentos para desenvolver uma relação afetiva com seu filho. A qualidade do cuidado são tão importantes quanto as questões de saúde. Com o tempo, o desenvolvimento capacitará a criança a sair de uma situação de dependência absoluta e uma nova rotina poderá ser estabelecida. 


O desenvolvimento da relação mãe-bebê nos primeiros meses é a primeira forma de socialização, antes que qualquer outra se estabeleça (mesmo que nessa fase o bebê ainda não compreenda tudo da forma que compreendemos como adultos). É importante lembrar que cada fase possui suas características específicas e, em um primeiro momento, o mais importante é que o bebê desenvolva uma relação afetiva estável com a mãe (ou o cuidador), pois tal relação o ajudará a se sentir pronto para, em breve, se relacionar de forma mais ativa com o ambiente e as pessoas à sua volta. Isso depende de uma maturação física, neurológica e emocional, que somente aos poucos é conquistada. As primeiras experiências de satisfação e segurança contribuem para um bom desenvolvimento a longo prazo.
                

 Mayara Medeiros
CRP-17/2820

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